21 de set de 2011

LOURA BLUES

NINO BELLIENY


Deus proteja as louras
De todo o mal.
São milhares de olhos sobre elas
E toda proteção é necessária.

São o inconcebível
E mais alguma coisa
Dentro de um cesto cheio de sentidos.

Anjos da vida e da morte
Delicadas bandidas
Seqüestram e torturam
Decididas a nossa sorte


Deus abençoe todas as louras
De farmácia ou originais
Suaves meninas inocentes
Doces pecadoras mortais.

Todas têm cara de santa
E realmente fazem milagres.
Nada temem
Exceto baratas e outros bichos.

Precisam muito de afeto e segurança
Para seguirem pela estrada a fora bem contentes.

Deus proteja as louras
Dos raios solares em demasia
A pele delas é céu
Cheio de estrelinhas.

E das barbas por fazer.
Nelas deixam pescoço, colo e ombros
Vermelhos de prazer.
Bocas ávidas impiedosas
Lambem-mordem deixando súbitas tatuagens
Na doçura de toda loura.

Louras deliciosas assassinas das horas
Não suportam tédio, filme repetido, figurinha repetida,
Histórias iguais.
Esnobam bajulações
Detestam cantadas comuns.

Beliscam o impossível com dedinhos firmes e suaves.

Loura não tem defeitos.
Nela defeito é qualidade.
O errado é um charme a mais.

São perdidas
Difíceis de ficarem paradas num só lugar
Quando a olhamos pela segunda vez
Já não mais estão.

Preferem o carinho dos espinhos
Ao roçar das rosas.

Se lhe perguntam o sexo, responde discretamente:
- Loura.

Não acredite em loura burra
Isto é mito
Para enganar outro tipo de burro.

Por isto elas são assim
Dissimuladas, tentadoras
Feitas de aço maleável
Equilibradas sobre o inesperado.

Deus me proteja
Da desmemória das louras.

São definitivas em tudo
Muito mais na arte do esquecer.

Ser apagado por uma delas
É desenhá-la pelo resto da vida.

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